Homens também fingem orgasmo ?
Muitos homens são capazes de interpretações de um orgasmo dignas de um Oscar
Poucas mulheres sabem disso, mas o fato é que, embora seja mais difícil para eles, os homens também têm condições de fingir um orgasmo. "Elas têm lubrificação mais intensa, mas não têm ejaculação, portanto, não precisam mostrar evidências. Isso torna mais fácil para elas fingirem”, afirma o urologista e sexólogo Celso Marzano, explicando a diferença das atuações feitas por ambos. Mas isso não significa que o sexo masculino não possa interpretar. Duas motivações são as principais: a primeira, não assumir que não conseguiu gozar; a segunda, poupar-se para continuar o sexo, fingindo que está pronto para uma segunda transa na sequência (que, na verdade, é a primeira).
Para psicóloga e sexóloga Carla Cecarello, há um grande desconhecimento sobre como acontece o clímax masculino, o que faz com que as pessoas confundam orgasmo com ejaculação.
"Orgasmo é sensação cerebral desencadeada por estímulo do genital. A mensagem é enviada para o cérebro e o orgasmo ocorre. A ejaculação é uma consequência disso", diz a sexóloga.
Mas o homem pode ter orgasmo seco. "Ocorre com treino ou por um problema chamado ejaculação retrógrada, quando ejacula para dentro da bexiga", diz Carla.
O ginecologista e andrologista Lister Salgueiro dá mais detalhes sobre o assunto. "Excitação, ereção, ejaculação e orgasmo são independentes. Um homem pode ter excitação e não ter ereção. Ou ter ereção e não ejacular. Ou ainda ejacular e não ter um orgasmo".
Os homens, de acordo com o médico, precisam ter o máximo controle do corpo para conseguir, se a intenção é segurar o gozo, pois há uma fase da excitação que é voluntária e outra involuntária. "Há um ponto em que, se ele chegar, não consegue mais evitar. Todo homem é assim. Com a excitação vem a ereção e, depois, contrações que promoverão a ejaculação e o orgasmo. O homem que finge precisa saber controlar sua excitação e segurar a ejaculação. E não é qualquer um que consegue isso", diz Marzano.
Os integrantes da ala masculina que conseguem fingir precisam, além de ser bons atores e ter domínio sobre o corpo, de rapidez depois do ato sexual (e estar usando preservativo, é claro). "O homem faz caras e bocas e finge que gozou. Depois, pega a camisinha rapidamente, dá um nozinho e não deixa a parceira verificar. E, normalmente, não há mesmo razão para ela fazer isso", afirma Oswaldo Rodrigues Jr., psicólogo e terapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade.
Por que homens simulam um orgasmo?
O primeiro motivo que pode levar um homem a fingir é o de não mostrar o orgulho ferido por não ter conseguido cumprir o papel que era esperado dele. "Ele tem receio de demonstrar que não chegou lá e decepcionar a parceira. Às vezes, ele nem sente tanta vontade de fazer sexo, mas se obriga a ir para a relação que para ele já se tornou algo burocrático e previsível", explica Margareth dos Reis, psicóloga, terapeuta sexual e de casais do Instituto H. Ellis.
A pressão social para que os homens impressionem sempre é grande. "Eles não podem demonstrar que não ficaram satisfeitos com a situação ou que não é bom amante. Há uma obrigação cultural e social em cima deles. E todo mundo sabe que, para as mulheres, chegar ao clímax é um pouco mais difícil, às vezes", fala Carla Cecarello.
Eles também podem fingir, simplesmente, para evitar ter de discutir o relacionamento. "O homem já pode ter passado por situações em que não ejaculou e foi cobrado pela parceira. Para evitar discussões, mentem", diz Oswaldo. Mas ele sugere outro motivo para a mentira masculina: dar à mulher a ideia de que são amantes incríveis e insaciáveis. "Depois de simular que ejaculou, um homem pode retomar a relação na sequência, como se fosse uma segunda vez. Ele pode estar interpretando o papel de que está sempre preparado par fazer sexo", afirma.
Mas há, ainda, outras razões, segundo Marzano. "Pode ser aquele cara que quer sair logo da situação, que está fazendo sexo por obrigação e até por dinheiro. E há, ainda, situações como no sexo casual, que podem ter começado bem, mas depois não 'dá liga'. Para terminar logo, ele finge", afirma o médico. Qualquer que seja o motivo, os especialistas são unânimes em dizer que fingir orgasmo sempre será algo negativo. "O homem perde a oportunidade. Escolhe não ter prazer e faz de conta que está tendo. Está agindo contra si mesmo", afirma Oswaldo Rodrigues.
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Swing, fetiche & Viagra - 3a. parte
Por que os jovens buscam emoções cada vez mais fortes na hora do sexo ?
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Asfixia Erótica
A chef de cozinha Margoth, 26 anos, não frequenta casas de suingue, não usa drogas nem transa com tomadores de Viagra. Sua predileção sexual é outra: a asfixia erótica, outra prática crescente entre os jovens. “Descobri que o sufocamento me excitava durante a adolescência, quando lutava jiu-jítsu e curtia golpes como o mata-leão”, diz. “Sentia uma moleza boa, parecida com a do orgasmo. Anos depois, descobri que aquela era só uma das minhas tendências sadomasoquistas.”
“A máscara me deixa sem ar, tonta, com visão embaçada. Não chego a desmaiar, mas sinto muito prazer” — Cypher*, 23, designer
Predileções à parte, a excitação pelo sufocamento tem uma razão (química) de ser. “Durante a asfixia, o nível de oxigênio no cérebro diminui e produz um torpor semelhante ao do orgasmo”, explica o psiquiatra Luiz Sperry César, do Hospital Emílio Ribas. O perigo dessa prática é que ela pode ser fatal, como aconteceu com o ator David Carradine e o vocalista do INXS, Michael Hutchance, autoasfixiados durante o ato da masturbação. Nos Estados Unidos, país que hospeda a maioria dos sites que ensinam a fazer asfixia autoerótica, a prática mata de 500 a 1.000 homens por ano, de acordo com o FBI.
“Como sei o quanto isso é perigoso, jamais me sufoco sozinha, somente com meu namorado”, diz Margoth. Das várias formas de sufocamento propagadas pelos adeptos da polêmica prática, ela prefere a com sacos plásticos e o garroteamento (com uso de cordas, lenços ou cintos). “Em duas das quatro vezes por semana que transo com meu namorado, peço que ele me sufoque. Ele gosta, porque se sente no comando da situação e eu gosto porque me sinto comandada”, afirma.
O analista de sistemas Gás Mask, de 26 anos, e sua namorada, Cypher, de 23, vão ainda mais longe na tara pela asfixia. Juntos há três anos, os dois ganharam esses apelidos na cena BDSM porque nutrem verdadeira adoração por transas com máscaras de gás. O aparato impede a entrada do oxigênio no cérebro e possui uma trava de segurança que pode ser acionada, a qualquer momento, evitando desmaios. “Além do prazer físico do sufocamento, sinto um fetiche pela máscara. Tenho ao todo 11 delas”, conta Gás.
Filha única de uma família de classe média de São Paulo, Cypher mora sozinha com a mãe, desde que o pai faleceu, há dois anos. “Sempre tive diálogo com eles. Minha mãe sabe que sou fetichista e pratico asfixia erótica. Ela não aprova, mas respeita. O que já é suficiente”, afirma. Entre os amigos da faculdade onde Cypher cursa o último ano de design, o assunto não existe. “Só as pessoas mais chegadas sabem desse meu segredo. Isso me preserva”, diz a moça. Assim como o namorado, ela também adora as máscaras. “Durante o sexo, me sinto enclausurada, sufocada e vou, aos poucos, ficando com a visão embaçada. Até que, antes de desmaiar, acabo gozando.”
Quando a falta de ar começa a ficar insuportável, cabe à pessoa que está com a máscara dar um sinal (uma batida mais forte, um aceno ou beliscão) para o parceiro que está no “comando”. Aí, ele prontamente aciona a trava de segurança, que permite nova entrada de ar. Na opinião de Cypher isso só funciona se o casal tiver muita sintonia e confiança. “Perdi a virgindade tarde, aos 21 anos, com o Gás. Antes dele, não gostei de ninguém a ponto de me entregar. Ele é realmente o homem da minha vida, a pessoa que eu amo”, diz.
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Viagra e poder
César, 30 anos, é um charmoso diplomata carioca, o “genro que toda sogra pediu a Deus”. Formado em direito por uma importante universidade pública, ele decidiu investir na carreira diplomática quando completou 25 anos. Largou o escritório de advocacia em que trabalhava e passou um ano estudando para a prova do Itamaraty. “Quando passei no exame, me vi sozinho em Brasília, um lugar árido, sem esquinas e sem amigos”, diz. “Ali, a moçada — não só os diplomatas em formação mas, principalmente, os filhos de ministros e políticos importantes — tem muito dinheiro e tempo livre.” São pessoas que, com excesso de liberdade, encontram no sexo e nas drogas uma maneira de fugir da rotina. Para elas, o barato é organizar orgias pelos apartamentos funcionais. “Há muito álcool, cocaína, ecstasy e, sobretudo, remédio contra impotência. O que explica por que, em Brasília, descobri que o melhor amigo do homem não é o cão, como diz o ditado, mas o Viagra!”, diz César.
Descontando o período em que namorou duas garotas (no início e no fim de sua estada de quatro anos no Planalto), o diplomata passou quase um ano no que chama de “atividade surubática intensa”. “Uma ou duas vezes por mês, lá estava eu tomando Viagra ou Cialis [medicamento contra disfunção erétil com duração de 36 horas, bem mais do que as oito prometidas pela concorrência] e transando com funcionárias públicas poderosas, garotas de programa de luxo e outras mulheres que, assim como eu, queriam companhia, mas eram muito solitárias”, diz. “No fundo todo mundo busca um amor verdadeiro. E, como ele não aparece, veste a carapuça de comedor. É uma falsa compensação.”
“O remédio me dá segurança. Mas quero que uma mulher se apaixone por mim, não por um produto de laboratório” — César*, 30, diplomata
De tanto tomar comprimidos para disfunção erétil em Brasília, em sua volta para o Rio, no ano passado, César se sentiu inseguro. Questionou-se se não estaria viciado no remédio a ponto de não conseguir conquistar mulheres sem ele. “Dificilmente encaro “one night stands“ [“transas de uma noite só”] sem o Viagra. Com ele me sinto viril, poderoso e ainda impressiono a garota”, diz. “Conforme fico à vontade com a menina, vou abrindo mão do remédio. Quero que ela se apaixone por mim e não por um produto de laboratório”, afirma. Segundo o psiquiatra Alexandre Saddeh não existe, em pacientes saudáveis, sem predisposição cardíaca, um perigo que o uso do medicamento possa acarretar. “Essa moçada sofre de disfunção erétil de origem psicológica. O remédio os ajuda a adquirir autoconfiança. E, aos poucos, com psicoterapia, vai sendo retirado”, explica o médico.
Essa insegurança masculina na hora da conquista, somada à recente quebra de patente do Viagra (no final de junho o preço da cartela com dois comprimidos baixou de R$ 66 para R$ 30), tem feito com que o número de jovens que consomem a droga sem indicação médica cresça expressivamente.
Estima-se que, hoje, três em cada dez consumidores de Viagra estejam abaixo dos 30 anos, número três vezes maior do que no início da década, quando o produto foi lançado mundialmente. No Brasil, segundo o Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, 20% dos garotos entre 18 e 25 anos fizeram ou fazem uso frequente do medicamento. A fissura é tanta que, como ele não pode ser vendido sem receita, quem não consegue burlar as farmácias, recorre até aos traficantes. “No Rio existe um dealer conhecido de Pramil, outro desses remédios contra impotência que é ilegal no Brasil, mas comercializado livremente no Paraguai”, diz César. Na mão dele, a cartela com 20 comprimidos sai por apenas R$ 30. “Mais uma prova de que, assim como o ecstasy marcou a geração clubber, o Viagra e seus similares marcaram a minha.”
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